Polícia identificou 20 mil compras de aulas pirateadas por quadrilha do RJ; clientes podem responder por receptação

Quinta, 23 de Julho de 2020

Polícia identificou 20 mil compras de aulas pirateadas por quadrilha do RJ; clientes podem responder por receptação


A Polícia Civil do RJ levantou pelo menos 20 mil compras no perfil Concurseiro Paulista e afins, alvos da Operação Black Hawk. Nesta terça-feira (21), equipes prenderam nove pessoas no Rio e em Minas Gerais por pirataria de cursinhos preparatórios para concursos públicos e outros cursos de extensão.

Segundo o delegado Luiz Henrique Marques, da Delegacia da Criança e Adolescente Vítima (DCAV) quem comprou materiais hackeados pela quadrilha, como videoaulas, pode responder pelo crime de receptação, cuja pena vai até a quatro anos de reclusão.

“Se essas pessoas passaram em concurso público, podem ser reprovadas por falta de idoneidade moral, um requisito básico em qualquer certame”, afirmou o delegado.
 
“Levantamos milhares de contas cadastradas no site investigado. Pelo IP, conseguimos chegar aos compradores”, emendou Marques.
 
⁣Técnicas avançadas de hack e vários servidores
 
Em geral, videoaulas de cursinhos legais não podem ser baixadas e armazenadas no computador ou na nuvem particular dos alunos. As matérias são protegidas por criptografia.

O delegado explicou que escolas preparatórias mantêm os conteúdos em streaming; quando um concurseiro os acessa, o sistema coloca o CPF do matriculado no fundo em marca d’água — para inibir que se grave ou filme a tela, a fim de compartilhá-los.
 
Segundo as investigações, Lothar Alberto Rossmann usava conhecimentos avançados de Tecnologia da Informação para vencer a criptografia e baixar as videoaulas sem marca d’água.
 
Na sequência, a quadrilha oferecia os cursos inteiros em sites de compra e venda e dava acesso a pastas na nuvem para quem comprasse os pacotes pirateados.

A polícia afirma ainda que a quadrilha mantinha várias contas piratas anunciando as videoaulas roubadas, tanto para forjar concorrência, quanto para manter alternativas no ar quando os cursos legais conseguiam derrubar algumas delas.
 
⁣A Operação Black Hawk
 
A Polícia Civil prendeu nove pessoas e cumpriu 19 mandados de busca e apreensão.

Segundo as investigações, a quadrilha invadia sistemas há pelo menos 20 anos e faturou R$ 15 milhões anunciando apostilas e videoaulas pirateadas -- vendidas por valores menores.
 
Os prejuízos das empresas cujo conteúdo foi hackeado chegam a R$ 67 milhões. Os cursos pirateados eram para a área de segurança pública -- como Polícia Civil, Polícia Federal e Rodoviária Federal -- e para carreiras fiscais e jurídicas.
 
⁣Os suspeitos vão responder por associação criminosa, lavagem de dinheiro e crime contra a propriedade imaterial.
 
Segundo as investigações, os cursos preparatórios oficiais custavam entre R$ 500 e R$ 10 mil. A quadrilha os vendia por até 10% desse valor.

Fonte: https://g1.globo.com/rj/rio-de-janeiro/noticia/2020/07/21/policia-identificou-20-mil-compras-de-aulas-pirateadas-por-quadrilha-do-rj-clientes-podem-responder-por-receptacao.ghtml

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